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Leitura Litúrgica do Evangelho de Lucas - Cônego Celso Pedro da Silva

Por: Família Missionária

1. Espiritualidade litúrgica
2. Terceiro domingo do Tempo Comum: Jesus anuncia o seu projeto
3. Quarto domingo do Tempo Comum: Reação contra o projeto de Jesus (Lc4, 21-30)
4. Quinto domingo do Tempo Comum: Os colaboradores do projeto de Jesus (Lc 5,1-11)
5. Sexto domingo do Tempo Comum: A confirmação do projeto de Jesus (Lc 6,17.20-16)
6. Sétimo domingo do Tempo Comum: O coração do projeto de Jesus (Lc 6,27-38)
7.Oitavo domingo do Tempo Comum: O meu projeto é o de Jesus (Lc 6,39-45)

 

 

 

 

Espiritualidade litúrgica

Os católicos leem juntos a Sagrada Escritura quando se reúnem no domingo para a Eucaristia. Cada ano, sobretudo durante o Tempo Comum do Ano Litúrgico, é lido um dos Evangelhos sinóticos: Ano A, São Mateus; Ano B, São Marcos; Ano C, São Lucas. Se formos animados pela liturgia, alimentamos nossa vida espiritual com as passagens bíblicas que são lidas, proclamadas e meditadas nas assembleias dominicais. Isso também pode acontecer durante a semana, mas o tempo forte da comunidade é a celebração dominical. Portanto, a gente não vai simplesmente à igreja para uma Missa.

A vida litúrgica não é feita de atos soltos e isolados. É vivida em tempos marcados com uma sequência temática que nos introduz sempre mais no mistério da fé. Não entro na igreja para uma Missa. Entro para celebrar o terceiro domingo da Quaresma, ou o quarto da Páscoa, ou a Epifania do Senhor, segundo o tempo que está sendo vivenciado naquele dia. Saio do tempo fechado, monótono e repetitivo dos sete dias da semana e entro no oitavo dia, que me joga na eternidade. Deixo por um momento a realidade terrestre para contemplá-la do alto do Mistério litúrgico, e assim poder mergulhar com mais profundidade na realidade da vida sempre necessitada de transformação.

Tenho que sair da máquina do tempo fechado que me converte em peça de engrenagem para ver o conjunto da existência com os olhos da fé e me tornar agente ativo de transformação. Não procuramos sinais dos céus para evitar os sinais da terra. Ao contrário, lemos os sinais da terra com olhos que veem o invisível.

 

  

Terceiro domingo do Tempo Comum: Jesus anuncia o seu projeto

Na primeira parte do Tempo Comum, o evangelista São Lucas nos coloca diante do projeto de Jesus. O Verbo de Deus vem ao nosso mundo com um objetivo concreto e ele diz por que veio na pregação que fe na sinagoga de Nazaré. São Lucas inicia o seu Evangelho dizendo que estudou a vida de Jesus e escreveu para confirmar a fé dos cristãos do seu tempo. Ele se dirige a uma pessoa chamada Teófilo, o amigo de Deus, que poderá assim verificar a solidez dos ensinamentos que lhe foram transmitidos. Passado tanto tempo, nós, nos dias de hoje, podemos confrontar as ideias que temos na cabeça, e o modo como vivemos, com o que está escrito em Lucas.

Na Sinagoga, na liturgia judaica do Sábado, Jesus leu para a assembleia uma passagem do profeta Isaías e aplicou a si mesmo o que disse o profeta. A profecia de Isaías começava a se realizar naquele momento. O que foi que Jesus leu no livro de Isaías?

“O Espírito do Senhor está sobre mim”. Sobre Jesus está o Espírito Santo. “Ele me consagrou com a unção”. O Espírito Santo ungiu Jesus com óleo, isto é, deu a ele uma missão a ser realizada na terra: “anunciar a Boa Nova aos pobres”, “proclamar a libertação aos cativos”, “proclamar aos cegos a recuperação da vista”, “libertar os oprimidos”, “proclamar um ano da graças do Senhor”, o ano sabático do perdão. E tudo isso estava começando a acontecer naquele momento. Jesus vem para os pobres, os cativos, os cegos, os oprimidos, os que esperam a libertação total no ano sabático. É esta a utopia de Jesus:ma Igreja pobre para os pobres!

 

 



Quarto domingo do Tempo Comum: Reação contra o projeto de Jesus (Lc4, 21-30)

Todo mundo estava contente com a pregação de Jesus e seu projeto de cuidar dos pobres, oprimidos e esquecidos deste mundo. De repente, porém, o ambiente mudou na Sinagoga de Nazaré. Os mesmos que antes estavam contentes tornaram-se tão furiosos que quiseram matar Jesus. O que foi que Jesus disse que os irritou tanto assim? Jesus lembra a eles que o profeta Elias foi enviado a uma mulher pagã, que não pertencia ao povo de Israel, e o mesmo aconteceu com Eliseu e Naamã. O profeta Eliseu curou a lepra de Naamã, que era sírio e não israelita. Eles queriam que Jesus fizesse milagres como tinha feito em Cafarnanum. Jesus, porém, olhava para fora de Israel, para o mundo todo que está aí para ser redimido. O povo de Israel deve saber que sua missão tem as dimensões do mundo, que é preciso sair para fora, compreendendo a escolha que Deus fez de seu povo como uma responsabilidade e não como um privilégio. Jesus não veio para fazer coisas bonitas em favor de Israel. Ele veio para que Israel faça coisas bonitas em favor do mundo. Todos devem se voltar para os pobres, os cativos, os cegos, os oprimidos, os que esperam a libertação total no ano sabático. Israel deve se tornar uma Igreja pobre para os pobres! Parece que não gostaram disso.

 

 

Quinto domingo do Tempo Comum: Os colaboradores do projeto de Jesus (Lc 5,1-11)

Primeiro que avancem para águas mais profundas e lancem as redes para a pesca. Depois, em particular para Simão, que ele não tenha medo e que ele será pescador de gente e não mais de peixes. Encontramos colaboradores que fazem seu o projeto missionário de Jesus, que não querem ficar seguros nas margens, mas se dispõem a correr riscos em águas mais profundas e, sobretudo, que vão trabalhar com pessoas, na construção do ser humano. Tudo o mais virá em segundo lugar.

 

   

Sexto domingo do Tempo Comum: A confirmação do projeto de Jesus (Lc 6,17.20-16)

Quando Jesus anunciou o seu projeto na Sinagoga de Nazaré, citando o profeta Isaías, ele afirmou que veio a este mundo para dar uma Boa Notícia aos pobres, libertar os cativos, restituir a visão aos cegos, instaurar definitivamente o ano jubilar da libertação de todas as dominações. Depois dos aplausos, surgiram as reações. Jesus podia ter se corrigido, ter explicado de novo suas palavras para evitar equívocos. De fato, ninguém reagiu por ter ele mostrado interesse pelos menos amados. A reação veio quando os ouvintes compreenderam que para levar avante o projeto de Jesus era preciso renunciar a privilégios e assumir responsabilidades. Jesus não volta atrás em suas palavras. Ao contrário ele as confirma quando diz aos seus discípulos e a uma grande multidão que o ouvia que, para Deus, são felizes, são bem-aventurados, são Beatos, os pobres, os famintos e os aflitos que choram, de qualquer raça ou nação. E em particular, num grupo especial, são felizes os que aceitaram Jesus e vivem por causa dele e que por isso mesmo são mal interpretados e perseguidos. Todos os pobres, os famintos e os aflitos, e em particular, os seguidores de Jesus perseguidos, esses são bem-vistos por Deus.

 

 

 

Sétimo domingo do Tempo Comum: O coração do projeto de Jesus (Lc 6,27-38)

O coração do projeto de Jesus é o amor, o amor prático e efetivo, capaz de romper mecanismos de repetição. Tem verdadeiro amor em seu coração aquele que é capaz de amar seus inimigos, fazer o bem a quem o odeia, bendizer quem o amaldiçoa e rezar pelos caluniadores. Para assim proceder é preciso ser forte, estar imbuído de profundas convicções e, sobretudo, ser movido, não pelos impulsos da natureza, mas pelo Espírito Santo. Oferecer a outra face, dar a quem pede, romper a violência de quem me tira o manto entregando também a túnica são atitudes de gente forte. Quem assim procede não está dando um prêmio à maldade nem está estimulando a covardia. Está rompendo um mecanismo de repetição que só pode ser rompido pela gratuidade. Se alguém me dá um tapa e eu devolvo outro, estou repetindo o que já foi feito e confirmando o ato de quem bateu primeiro. Se o outro, por sua vez, me dá um novo tapa e eu continuo a bater, entramos num movimento sem fim de violência que se acumula e só se rompe se alguém introduzir um ato contrário oferecendo a outra face. Não se trata de fazer isso literalmente. Trata-se de ir na direção contrária, de ser diferente de não confirmar com minha atitude a atitude que desaprovo no outro. Nossa perfeição em relação a Deus consiste em sermos misericordiosos, indo além da justiça. Olhamos para Deus e não queremos ser por ele julgados nem condenados; queremos o perdão e uma porta larga para podermos passar. Por isso me decido a fazer ao outro o que quero que façam a mim.

 

 

 

Oitavo domingo do Tempo Comum: O meu projeto é o de Jesus (Lc 6,39-45)

Qual é o nosso projeto fundamental de vida, a opção da nossa existência? Vivemos para quê, o que esperamos desta existência terrena? Pelos frutos se conhece a árvore. Árvore boa deve dar bons frutos, árvore ruim dará maus frutos. Nós, porém, não somos árvores. As comparações são boas, ajudam a compreensão mas toda comparação feita em relação ao ser humano não é completa se permanecer no nível dos objetos inanimados ou de seres irracionais. Não somos árvore e não somos passarinhos. Somos seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, dotados de inteligência, vontade e liberdade. Não basta, pois, olhar para fora, para as ações externas, para a eficácia das obras, para o nível de produção. Como também não basta olhar para fora para acertar o caminho que leva à vida, observando leis, mandamentos e preceitos. É para dentro que temos que olhar, para o nosso coração. Ele é a sede do nosso projeto pessoal de vida. “A boca fala do que o coração está cheio”. O que enche o nosso coração? O que queremos no mais profundo do nosso ser? Qual é o nosso projeto fundamental de vida? A resposta deve ser dita com clareza e firmeza a nós mesmos e a Deus no silêncio da oração. O que eu quero não é sempre o que eu realizo porque é bem verdade que nós somos nós e as circunstâncias que nos envolvem, mas o fundo de nossa existência não pode ser falso e hipócrita. É com sinceridade que afirmamos não querer ser diferente de Jesus, pois “o discípulo bem formado será como o mestre”. Jesus é o fundamento da nossa vida. A construção que vem depois não depende só de nós.

 

 



 

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