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Abri as portas a Cristo! - Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger

Por: Família Missionária

No dia 22 de outubro passado, celebrou-se pela primeira vez o dia de S. João Paulo II, canonizado pelo Papa Francisco em abril último. Normalmente, para se celebrar a memória de um santo escolhe-se o dia do seu falecimento – dia da sua entrada na vida eterna. No caso desse Papa, foi escolhido o dia em que, em 1978, ele começou seu longo pontificado. Para conhecer o coração de S. João Paulo II, vale lembrar o que ocorreu numa noite, quando ele trabalhava com um grupo de colaboradores. Um deles lhe observou a necessidade de ele ir descansar, pois sua agenda, no dia seguinte, seria muito pesada. A resposta saiu rápida: “Mais do que de gente sadia, Deus precisa de santos!” Ao falar a um grupo de bispos, já havia dito que “a santidade é efetivamente a condição necessária para que nosso ministério seja frutuoso. É nossa união com Jesus Cristo que determina a credibilidade de nosso testemunho do Evangelho e a eficácia sobrenatural de nossa atividade”.

O 264º sucessor de Pedro, filho de operários, nascido em Wadowice, perto de Cracóvia-Polônia, foi, sem dúvida, uma pessoa singular. Menino, Karol Woytyla gostava de jogar futebol. Adulto, foi ator e dramaturgo; fez seus estudos sacerdotais clandestinamente, durante a ocupação nazista. Ordenado sacerdote em 1946, doutorou-se em filosofia e moral, foi ordenado bispo em 1958 e tornou-se cardeal em 1967.

S. João Paulo II foi o primeiro pontífice não-italiano em 455 anos. Seu pontificado se caracterizou pelo esforço de anunciar Jesus Cristo a todos. Não contente com os eventos de evangelização que presidia no próprio Vaticano, viajava pelo mundo inteiro, para proclamar a Palavra, insistindo nisso oportuna ou inoportunamente, sem a preocupação de saber se estava ou não agradando (cf. 2Tm 4). Para confirmar isso, vale lembrar o que falou em alguns países sul-americanos: no Uruguai, país de baixíssima taxa de crescimento populacional, lembrou o valor da criança no coração da família. No Peru, agitado por guerrilhas, criticou os que usavam da violência para alcançar o poder. Na Bolívia, condenou os que se enriqueciam com o tráfico de drogas. E no Paraguai, dominado por uma ditadura, insistiu na importância da democracia e na necessidade de serem respeitados os direitos humanos.

João Paulo II queria que os católicos soubessem dar, aos que lhes pedissem, as razões de sua esperança (cf. 1Pe 3,15). Por isso, providenciou a elaboração do famoso “Catecismo da Igreja Católica” que, como ele mesmo definiu, foi “um dom precioso para as comunidades”. Catequista itinerante, procurava falar na língua do povo que o recebia. Se os idiomas que dominava não eram suficientes para se fazer entender, não desistia: fazia discursos e homilias em dialetos. Foi assim que conseguiu se comunicar tanto com os habitantes de uma desconhecida ilha do Pacífico como com os índios da Bolívia. Entendia que o pastor, uma vez que devia conhecer suas ovelhas, precisava também comunicar-se com elas.

Ao iniciar seu ministério, dirigiu-se ao mundo todo com um caloroso pedido: “Abri as portas a Cristo; abri amplamente os corações a Cristo; escancarai as portas a Cristo!” Ao longo de seu pontificado de quase 27 anos, S. João Paulo II renovou esse apelo muitas vezes. Sofria ao ver inúmeras portas fechadas a seu Senhor e Mestre. Sofria, também, ao ver que não poucos trabalham tenazmente para tirar do coração dos homens qualquer ideia religiosa.

Já nos últimos anos de sua vida, carregado numa cadeira-móvel, continuava sua missão de confirmar seus irmãos na fé (cf. Lc 22,32). Quando sua voz se tornou inaudível, passou a entregar por escrito sua mensagem aos que o visitavam.O importante, para ele, era ensinar, evangelizar, catequizar. Aceitava com tranquilidade o fato de Deus se utilizar da fragilidade humana para transmitir suas riquezas. Trabalhou, sem descanso, até o final de sua vida.

Particularmente nós, que tivemos a alegria de conhecê-lo pessoalmente, não podemos ficar indiferentes diante de seu testemunho tão eloquente.

 

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