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Reconhecer os dons - Pe. Paulo Gozzi,SSS

Por: Família Missionária

Como é desagradável num bate-papo de grupo ver uma pessoa que só fala de si mesma, exaltando suas virtudes, sem se interessar pelas idéias dos outros! Em qualquer diálogo a atitude oposta é que integra a todos. É bonito ver o interesse de uns pelos outros. Um dia alguém me disse que ficou muito irritado quando me ouviu falar bem dos não católicos e apontar falhas dentro de nossa Igreja. Ele é daqueles que ainda acham que devemos esconder nossos defeitos e exaltar nossas virtudes. Não há nada mais contrário ao espírito ecumênico do que acentuar aquilo que nos distingue dos outros, a pretexto de afirmação da própria identidade. O Senhor deixou claro que todos os que se exaltam serão humilhados...

O Concílio Vaticano II diz: “É muito importante que os católicos descubram com alegria todos os bens que nossos irmãos possuem e que fazem parte da mesma herança cristã, que tanto eles como nós recebemos. É muito bom reconhecer a presença das riquezas de Cristo na vida deles, bem como o testemunho que dão de Cristo, até mesmo derramando seu sangue como mártires: Deus é maravilhoso e admirável em suas obras” (Unitatis Redintegratio, 4). Em qualquer Igreja cristã o batismo confere integralmente àqueles que o recebem todos os dons necessários para se viver a totalidade do Evangelho e alcançar a salvação eterna. Cabe a cada batizado corresponder a essa plena graça divina.

Este é um passo fundamental: Reconhecer que os bens genuínos da fé estão presentes e atuando em todos os cristãos. Sentimos o estímulo que nos dão e desejamos imitá-los na vivência do Evangelho. Quantos cristãos - luteranos, anglicanos, metodistas e outros - morreram mártires na última grande guerra porque lutaram pela justiça evangélica, contra a arbitrariedade nazista! E, somente no contato direto e permanente com irmãos de outras Igrejas é que nós podemos perceber como eles estão correspondendo ao influxo da graça, quando ouvem a Palavra de Deus e celebram a salvação que receberam, louvando, orando e agradecendo ao Senhor da Vida, que transmite seus dons aos que buscam sua vontade.

Quando conversamos com um não católico, estabelecemos antes de tudo uma relação de amizade, de pessoa para pessoa, conhecendo e amando o irmão. Só depois conversamos a respeito das coisas em que ambos acreditamos. É João Paulo II que nos diz: “O diálogo ecumênico não se estabelece exclusivamente em torno da doutrina, mas envolve toda a pessoa: é também um diálogo de amor” (Ut Unum Sint, 47). Para reconhecer os dons da graça nos irmãos é preciso amá-los e é só amando de modo sincero que nós poderemos progredir em direção à comunhão plena e verdadeira de todos os discípulos de Cristo.

 

 

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